Demorei deveras pra publicar este último trecho! No meio do caminho houve viagens, eventos e muita coisa boa que em breve publico aqui (dessa vez  com mais frequência), mas, finalmente, segue a última parte do relato da Serra da Mantiqueira:


Mantiqueira – Céu do Itatiaia com Agulhas Negras ao fundo

Dias 06 e 07 – Desventuras no Itatiaia

Criado em junho de 1937, o Itatiaia foi o primeiro Parque Nacional brasileiro. Infelizmente essa “experiência” toda não se reflete na administração da unidade de conservação. É verdade que o controle no acesso de visitantes é muito bom e garante a preservação do lugar (você precisa de acesso para ingressar em cada uma das trilhas), mas há certas questões sobre a logística que não fazem muito sentido…

Conforme citado na parte 02 do relato, conseguimos uma carona até o alto da serra e acampamos em um camping abandonado. As 07:00 horas iniciávamos a caminhada de pouco mais de 1 km até a portaria do parque. Ao chegar lá um desânimo tomou conta: sem exagero, centenas de pessoas já faziam fila para entrar.

Como não sabíamos exatamente que dia chegaríamos no Itatiaia, não havíamos feito reserva antecipada (culpa nossa), e por consequência, acabamos não conseguindo fazer tudo o que queríamos. Mas novamente ressalto: a logística de visitação é um tanto falha! Depois de esperar um bom tempo na fila da Portaria, finalmente chegou nossa vez e rolou o seguinte diálogo:

– Gostaríamos de fazer o Agulhas Negras e pernoitar no Parque.

– Não tem mais vagas para as Agulhas e nem para pernoite – nem camping, nem abrigo. Se os visitantes que reservaram o pernoite não aparecerem até as 14 horas, a gente disponibiliza essas vagas, então, se quiserem terão que estar aqui as 14 horas.

– Ok! E que trilhas tem vaga ainda?

– Morro do Couto, Pedra do Altar, Pedra do Sino e Prateleiras, mas pra esse último precisa de equipamento de escalada.

– Vamos fazer a Pedra do Sino então.

– A Pedra do Sino não dá mais, teria que ter saído mais cedo.

– Então faremos a Pedra do Altar e o Morro do Couto.

– Não posso reservar os dois. Vocês podem fazer o Altar e voltar aqui pra pegar outra autorização pro Couto depois.

Nota: da portaria até onde o abrigo Rebouças (onde começam as principais trilhas), são 3 km de distância que teríamos que caminhar novamente só pra pegar a outra autorização.

As 11 horas estávamos no cume da Pedra do Altar e 12:45 novamente na Portaria…


itatiaia-morro-do-couto-visto-do-altar 

…e um novo diálogo:

– Não dá! A autorização pro Couto só posso liberar até as 13:30 e a reserva do camping as 14:00 horas, sendo que vocês precisam estar aqui, então, ou faz o Couto ou espera pra reservar o pernoite.

Arrrrrghhh!! Felizmente depois de muita conversa conseguimos explicar o que estávamos fazendo e convencer o Guarda Parque de que conseguiríamos fazer o Couto e descer a tempo mesmo saindo as 14 horas. Ah, e conseguimos ainda um lugar no abrigo e aproveitamos pra reservar a Pedra do Sino pro dia seguinte!

O lado bom nessa história foi que enquanto esperávamos conhecemos o Ruria, a Marina e, posteriormente, o Lucas – pessoal que presta serviços de guia ali no Itatiaia, gente de montanha, com o mesmo sentimento de respeito e admiração pelos nossos picos, com os quais trocamos boas horas de conversa. A empatia foi tamanha que a noite acabamos jantando com eles – um macarrão magnífico que a Marina fez! Comer nesses dias acampando e andando é sempre bom, mas comer aquela macarronada foi like a boss demais. Muito obrigado queriidos! As portar aqui do sul estão sempre abertas pra vocês, é só falar!

Nota: enquanto jantávamos vimos sinais de lanternas no agulhas negras – um pessoal teve contratempos na montanha, pernoitou por lá e teve que ser resgatado no dia seguinte.

Sobre o último dia de pernada não há muito o que dizer: fizemos a Pedra do Sino e voltamos para a Portaria. A ideia era descer antes das 16 horas pra conseguir carona com o Bruno (aquele mesmo que nos deixou no Itatiaia) até Passa Quatro. Faríamos a pé os 12 (?) km até a Garganta do Registro, não fosse por outro presente do destino: no estradão até a saída do parque conhecemos o Eduardo Braga, uma carioca figuraça que aparentava mais estar “turistando” por ali do que propriamente buscando trilhas (e com aquela barriguinha saliente ele sabe bem o que estou falando..hehehe), mas que durante a carona que nos deu até a rodovia se mostrou uma verdadeira enciclopédia do montanhismo. Sem exagero, o cara devorava diariamente informação e sabia o nome de todos os picos, quem tinha escalado, qual rota, e por aí vai… Foi bacana demaaais trocar uma ideia!

 itatiaia-agulhas-visto-do-sino

E tudo isso me fez pensar: a galera da montanha vive propagando a ideia de fugir da cidade e curtir tranquilidade da natureza – de fato isso que a gente foi buscar nessa trip. Mas nunca sejam sozinhos! Valorize as pessoas que cruzarem o teu caminho em cada empreitada, elas dão um sabor especial as histórias que vais poder contar para os teus filhos e netos um dia! Gratidão ao Reginaldo e a cada um que fez dessa travessia uma baita vivência!

Ah, e quando chegamos no Maeda demos azar: ele estava em Campinas e voltaria somente no fim do dia. Esperamos das 10 até as 18 horas e, nesse tempo, toda a vizinhança se mobilizou para nos ajudar enquanto esperávamos, o que reforça ainda mais o sentimento descrito acima.

Segue o trajeto percorrido nos dias 06 e 07.

Diário de Bordo

  • Dias 06 e 07: percorridos aprox. 36,08 +  (12,2 km de carona + 8,2 km de trilha)
  • Cumes: Morro do Couto (2680 m), Pedra do Sino (2670 m) e Pedra do Altar (2664 m)

Total: 96,3 km de caminhada + 35,7 km de carona; e acabou…