No primeiro trecho de nossa jornada pela Mantiqueira percorremos a Serra do Marins, pernada esta que descrevo em detalhes nessa segunda postagem. Espero que seja útil para quem deseja planejar uma trip similar futuramente e divertido para quem quer viajar conosco através dessa leitura:


Mantiqueira – Serra do Marins

Dia 01 – Pousada do Maeda até Pedra Redonda

Conforme citado no primeiro artigo desta série, alteramos nosso ponto de partida e iniciamos a caminhada na Pousada do Maeda (em Marmelópolis – MG, 1354 m.s.n.m.), cuja trilha dá acesso ao cume do Marinzinho. Era por volta das 10:45 horas da manhã do dia 27 de junho, uma segunda-feira, quando cruzamos o jardim de hortênsias atrás da hospedagem e começamos a subir por um estradão.

Sabendo que a pernada seria longa, avançamos em um ritmo cadenciado que carinhosamente apelidamos de “Maeda step”. Era mesmo uma caminhada em estilo japonês: calma e bem planejada, pois assim não acelerávamos muito o ritmo cardíaco e a respiração e, por consequência, praticamente não parávamos. Com isso, as 11:55 h estávamos no ponto de água localizado na cota de 1840 metros de altitude. Uma pausa de cinco minutos e novamente seguimos em direção ao cume do Marinzinho, no alto dos seus 2432 metros, que alcançamos as 13:40 horas.

Nota: a Serra do Marins possui três cumes principais: Marins, Marinzinho e Itaguaré. Ironicamente, embora carregue o sufixo “zinho” em seu nome, o Marinzinho é o ponto mais alto dos três, conforme medições recentes. Até então o Pico dos Marins era tido como maior, por isso essa confusão de nomenclaturas.


No cume do Marinzinho: Reginaldo vendo o Itaguaré ao longe (esquerda) + Pico dos Marins (direita)

 

Ali gastamos uns 20 minutos discutindo o que faríamos. As possibilidades eram duas:

  • deixar as mochilas e seguir leves em um rápido bate e volta ao cume do Marins (à sudoeste, cuja trilha daria aprox. 4,7 km – ida e volta), para daí então, seguir o traçado da travessia;
  • seguir diretamente para o leste, em direção ao Itaguaré e demais serras que percorreríamos;

Não serei hipócrita, a vontade era sim subir todas as montanhas que pudéssemos, mas a essência da empreitada era curtir a Mantiqueira ao máximo, sem ficar nos pressionando com datas, horários ou chegar no limite físico. Sendo assim, optamos por deixar o cume do Marins pra trás (um motivo pra voltar no futuro) e seguir tranquilamente nosso rumo.

Dali percorremos somente mais 1,3 km e as 15:30 chegamos em uma área protegida muito boa para acampar, um pouco depois da Pedra Redonda. Era cedo, mas reforço, a ideia era nos sentirmos aconchegados nos braços da Mãetiqueira, então, satisfeitos, decidimos ficar por ali mesmo.

Dia 02 – da Pedra Redonda até Passa Quatro

No dia seguinte (28 de junho) começamos a caminhar as 08:05 horas. Não há muito que ser dito sobre os pouco mais de 3 km percorridos até a bifurcação onde há o acesso ao cume do Itaguaré (onde chegamos as 10:30 horas), com exceção de que o vento forte acabou levando o boné do Reginaldo e o meu (da Terra Média Trekking) acabei perdendo no caminho também.

Largamos as cargueiras e tocamos em meio as belas rochas que compõem a montanha até seu ponto culminante, a 2308 metros de altitude. Regozijamos!


Pico do Itaguaré visto do acampamento 01

Nota: tome cuidado quando atacar o cume principal do Itaguaré, há pontos expostos onde uma queda certamente será fatal!

Enquanto descíamos cruzamos com um casal em direção oposta (não lembro os nomes, desculpe!) que carinhosamente nos ofereceu uma carona até o município de Passa Quatro (MG) caso nos encontrássemos novamente no fim da trilha. Paramos no ponto de água seguinte para um longo café e, infelizmente, este reencontro acabou não acontecendo.

Assim, chegamos ao ponto final do primeiro trecho de travessia e não tínhamos nenhum resgate pré-agendado. Não foi irresponsabilidade, explico: o que eu tinha em mente no início era percorrer a travessia toda caminhando, mas mudei os planos já nesse segundo dia. Seguimos sim uma parte do estradão a pé, mas, honestamente, a caminhada era desgastante e nada muito diferente das estradas de interior que temos em SC. Além disso, se tivéssemos mantido o projeto original, acabaríamos caminhando mais em rua do que em trilha.

Por tudo isso, como eu não sou o Tiago TheWalkingDeadWhiteWalkerZumbiIncansável Korb, nem a Luciana AndroidProjetadaParaLongasCaminhadasSemPrecisarDeCombustível Moro (parabéns aos dois pelas conquistas – vocês não são normais! rsrs), desencanei e focamos no que nos interessava mais. Sendo assim, andamos pela estrada por cerca de 11 km, quando uma Kombi escolar que iria buscar as crianças em Passa Quatro gentilmente nos ofereceu uma carona até lá.

Aproveitamos e já negociamos com o motorista um valor para que, no dia seguinte, ele nos deixasse no início da trilha da Serra Fina (parte 2 da empreitada), mas isso já é assunto para outra postagem. Reabastecemos a mochila com comida e dormimos em uma pousada naquela noite…

Diário de Bordo

  • Dia 01:
    • Distância Percorrida: aprox. 7,3 km
    • Aclive Acumulado: 1138 m
    • Waypoints: Pousada do Maeda (início), Água (km 3  – cota 1840 metros), Cume Marinzinho, Pedra Redonda.
  • Dia 02:
    • Distância Percorrida: aprox. 29 km (7,5 km de trilha, 11 km caminhando em estrada e 10,5 km de carona)
    • Aclive Acumulado: 683 m
    • Waypoints: Cume Itaguaré, Água (km, 4,8 – cota 2180 m), Água (km 6,7 – cota 1655 m), Água (km 7,4 – cota 1579 m), Base Itaguaré (km 7,9), Passa Quatro.

Recomendações:

  • Pra quem quer muito subir o Pico dos Marins, inicie a travessia pelo município de Piquete (SP);
  • O primeiro ponto de água depois do Itaguaré estava com pouca vazão (quase parada), portanto, sugiro fervê-la ou adicionar algum agente desinfetante;
  • Há outros pontos de acampamento antes e depois do Itaguaré. 

Post-Scriptum: agora que citei o nome do Tiago Korb, aproveito para agradecê-lo imensamente pelo sempre prestativo repasse de informações e apoio na elaboração de roteiros. De coração, muito obrigado meu caro! Sabes o quanto admiro tuas conquistas nesse mundo de serras e montanhas, és uma baita referência!

Sem mais, reencontro vocês na Serra Fina…