Demorou um bocado, mas finalmente tirei um tempo pra postar aqui o relato do segundo trecho percorrido na Mantiqueira, a Serra Fina. Segue aí:


Mantiqueira – Serra Fina

Dia 03 – De Passa Quatro até Acampamento Dourado

No primeiro trecho da travessia fizemos a Serra do Marins e terminamos em Passa Quatro (MG). No dia seguinte (terceiro dia de pernada), as 07:30 da manhã o mesmo “kombeiro” que havia nos dado carona já aguardava para dar aquela força novamente e nos deixar no início da famosa travessia da Serra Fina, a cerca de 12 km da cidade.

As 08:30 iniciávamos a caminhada que, de uma forma bem resumida, passou rapidamente pela Toca do Lobo e seguiu pelas cristas até o cume do Capim Amarelo, onde almoçamos as 13 horas. Matamos um bom tempo por ali até seguir pouco mais de 2 km até a área de acampamento conhecida como “Dourado” – próximo a cota de 2280 metros, que alcançamos as 14:50 e, por conta da disponibilidade de água, decidimos permanecer aquela noite. Isto dito, não vou me alongar e deixo as imagens falarem por si…

Serra Fina - Crista de acesso ao Capim Amarelo
Serra Fina - Serra do Marins vista do topo do Capim Amarelo Serra Fina - Crista de acesso vista do topo do Capim Amarelo
Serra Fina - Pôr do Sol Serra Fina - Capim Amarelo e Serra do Marins

 

Na sequência, o trajeto percorrido no dia 03. Nota: a água no acampamento Dourado não está tão evidente, faz-se necessário seguir por uma picada em direção noroeste para encontrá-la. Além deste, os únicos pontos de água deste dia estão no início da caminhada, antes do Capim Amarelo (toca do lobo e quartzito/crista).

Dia 04 – Do Camp Dourado até o Camp Brecha

Saímos do acampamento as 08:30 pra percorrer aquele que seria o trajeto mais bonito de toda a caminhada. Os principais waypoints que cruzamos foram: o cume do Melano (as 09:30 h), a base da Pedra da Mina – ponto de água (as 12:10 h), o cume da Pedra da Mina (as 13:00 h), o Vale do Rhuá (por volta das 14:30 h) e o acampamento Brecha (as 15:30 h). Sobre este dia, em termos de vivência tudo o que eu gostaria de dividir com vocês foi nossa chegada no cume da Pedra da Mina.

Na maior parte da caminhada o Reginaldo puxava na frente, mas naquele subida eu é que vinha um pouco adiantado. Chegando próximo ao cume, esperei por ele e falei “vai na frente e faz as honras, tu mereces mais…”; e ele respondeu “que nada, vamos juntos”. De fato, o Regi não acelerou o passo e seguimos lado a lado em silêncio.

Até então só havíamos pego céu azul, porém a Mina resolveu se fazer de difícil e vestiu um véu de nuvens quando nos aproximamos. Chegando ao cume não havia qualquer visual ao redor, estávamos completamente envoltos de branco por todos os lados, isolados de todo o resto. Foi intenso! Cada um foi para um canto e teve seu momento de fé/apreciação/agradecimento/regozijo. Muito obrigado montanha!!!


Serra Fina - Tartarugão visto da base da P. da Mina Serra Fina - Aprox. Pedra da Mina
Serra Fina - Vale do RhuáSerra Fina - Vale do Rhuá 2 Serra Fina - Pico do Avião no Vale do Rhuá

 

Na sequência, o trajeto percorrido no dia 04. Nota: os pontos de água são facilmente localizáveis neste dia (na base da Pedra da Mina e no Vale do Rhuá). Abasteça bem neste segundo pois no dia seguinte só há água já no fim da trilha.

Dia 05 – Do Camp Brecha até o Itatiaia

Bah, esse dia foi bem andando. Era por volta das 07:35 h quando começamos a caminhar, 08:45 h quando chegamos no cume do Cupim do Boi, 09:50 h no cume do Três Estados e, finalmente, 11:45 h no Alto Ivos, de onde seguimos até a Garganta do Registro (divida entre Minas Gerais e Rio de Janeiro). Aqui acrescento uma dica: se sua ideia é seguir para o Itatiaia, não faça como fizemos descendo pela trilha que segue até o chamado “Sítio do Pierre”; há uma bifurcação cerca de 600 metros após um córrego que, pegando a direita, te fará poupar uns 4 km de caminhada nas margens da rodovia.

Na descida conhecemos o Sr. Sebastião, que mora sozinho ali no pé da serra e vende queijo minas por um preço barato demais. Não bastasse o queijo, ainda nos serviu um café e passou o contato de outro “kombeiro” que poderia fazer nosso translado de volta para Passo Quatro.

Alcançamos a Garganta do Registro as 16 horas e ali conhecemos o Bruno, um gurizão cuja família tem uma loja de artesanato e nos fez um translado até próximo a portaria do PARNA Itatiaia. Ele até quis nos levar até o parque em si, mas não sei porquê achamos que não poderíamos entrar aquela hora e optamos por ficar em um camping no caminho, que o Reginaldo conheceu anos antes. Para nossa surpresa o local estava abandonado e a estrutura completamente vandalizada, mas, satisfeitos, montamos nossa barraca ali dentro mesmo (o que depois descobrimos ser proibido, porém essa história fica para o próximo capítulo… 

Assim a Serra Fina ficou para trás… Uma pernada que tem seu preço em termos de exigência física, especialmente na subida do Capim Amarelo, mas nem de longe é a “travessia mais difícil do Brasil” como muitos dizem. Por hora, prefiro chamá-la de “travessia de montanhas mais bonita do Brasil”, as fotos não me deixam mentir:

 

Segue o trajeto percorrido no dia 05. Nota: pontos de água somente na descida, já próximo a rodovia.

Diário de Bordo

  • Dia 03: percorridos aprox. 20,4 km (12,2 km de carona + 8,2 km de trilha)
  • Dia 04: aprox. 7,6 km de trilha
  • Dia 05:  aprox. 31 km ( 13,5 km de trilha/estradão + 4,5 km caminhando em rodovia + 13 km de carona)
  • Cumes:  Capim Amarelo (2.500 m), Melano (2566 m), Pedra da Mina (2798 m ), Cupim do Boi (2532 m), Três Estados (2665 m), Alto dos Ivos (2524 m);

Outras infos:

  • Água:
    • Dia 01: 3 pontos (toca do lobo, subida do capim amarelo + camp01 “dourado”
    • Dia 02: 2 pontos (cachoeira vermelha “base mina” + vale do Rhuá)
    • Dia 03: 1 ponto (próximo a saída)
  • Há diversos pontos de acampamento ao longo da trilha;
  • Pedra da Mina e Pico dos Três Estados: 5ª e 11ª montanhas mais altas do Brasil

Isso é tudo pessoal, nos reencontramos no Itatiaia...